CB Snippets #021
19/11/2024, Terça, 15:08 @ Paraná
Últimas semanas do ano e minha cabeça já está em 2025, mas ainda têm coisas a serem feitas: alguns projetos pra finalizar do trabalho, lançar meu primeiro Zine e dar início ao meu primeiro disco como produtor. Para as coisas existirem no mundo real, elas precisam, antes de tudo, existir na nossa cabeça. E as vezes é um grande processo convencer a si mesmo de que é possível.
Tomei gosto por viajar de carro, talvez porque seja uma das atividades que mais me desliga de um mundo frenético e me inspira com novas ideias. Dirigir até o Paraná foi o suficiente pra eu desengavetar uma ideia de disco que eu tinha pra esse ano e acabei não conseguindo executar, mas em 3 dias já tomou corpo o suficiente para se tornar inevitável. Tenho refletido bastante sobre essa necessidade interna de desenvolver trabalhos autorais e é algo que quero fazer bem mais no ano que vem.
Enfim, as responsabilidades tem me impedido de manter uma constância semanal, mas isso deve melhorar no verão. De qualquer forma, essas são minhas indicações das últimas duas semanas:
Cada tópico está dissecado um pouco mais. Clique nas setas e/ou nos links.
O QUE ESTOU LENDO
Interview to Guillermo Andrade for 424 event at Slam Jam
Retomei um interesse antigo pelo Guillermo Andrade depois de um amigo ter me perguntado quem ele era. Até então eu sabia que ele é imigrante, tem uma marca foda, tem bastante relação com o futebol, jogou no time do Virgil junto com Jordan Vickors e Pablo Attal num torneio de futsal em Londres anos atrás, além de ser um rosto familiar na cena desde sempre. Mas fui pesquisar mais e achei bastante coisa legal nas duas entrevistas seguintes - separei e traduzi alguns trechos:
‘Minha carreira começou porque eu estava procurando algo, algo que ainda não existia, e então me perguntei: por que não tentar criar isso? Eu era muito jovem quando percebi o que queria fazer, tinha uns 12 anos, e gostava de jogar futebol e de moda.’
Onde você encontra sua inspiração?
‘Gosto de contar histórias quando crio algo. Gosto de falar sobre qualquer coisa; eu poderia até criar algo inspirado no que você está dizendo hoje. Acho que o diálogo é um aspecto essencial para um criador, é necessário trocar informações e experiências. Todos os dias pode acontecer algo que me inspire, mesmo que a maioria das ideias venha do meu passado: a relação com meu pai foi muito importante para mim, assim como todas as memórias ligadas à minha infância.’
Why streetwear die-hards are snapping up Guillermo Andrade’s 424
Andrade, 33 anos, está por trás da loja conceito FourTwoFour na Fairfax, criada para mostrar jovens talentos emergentes. Ele veio para os Estados Unidos como imigrante indocumentado da Guatemala e em 2010 abriu sua loja, que vende peças de vários designers de streetwear, desde nomes como Alexander Wang e Rick Owens até marcas em ascensão como MISBHV e Fear of God, permitindo que eles compartilhem seu trabalho com mais consumidores. Ele então lançou sua própria linha de streetwear, 424, em 2014.
TOSONE: Quando você começou a se interessar por design?
ANDRADE: Acho que começou há muito tempo por causa do grafite, por causa da cultura por trás disso... Sempre foi legal usar algo que ninguém mais estava usando. Então escrevíamos em nossas roupas ou colocávamos patches nelas e tentávamos costurar, íamos online e encontrávamos blazers oversized da Paul Smith, e então manualmente colocávamos alfinetes de segurança em algum lugar. Ainda me servia, mas eu não tinha que pagar $500. Como profissão, quando percebi, "Caramba, isso vai ser algo real", acho que isso veio depois que comecei a ajudar outras pessoas. Criei minha plataforma que começou a ajudar as pessoas a entrar na moda. Eu estava apenas tentando criar energia em torno de um produto. E então é impossível estar nisso e não ser influenciado por isso.
TOSONE: Quando você inicia uma nova colaboração, você prioriza suas necessidades e sua estética?
ANDRADE: Na verdade, acho que é o oposto. Eu reconheço pessoas com mentalidade semelhante e talento que eu posso não ter. Vejo onde estão suas forças e se é algo que parece bom, deixo que façam do jeito deles. Se eu acho que seu trabalho é incrível, tipo, ou vou caçar você para vender na minha loja ou se estiver dentro do diálogo da coleção 424, vou pedir para você fazer algo para ela, vamos colocar você em 50 lojas. Quero fazer isso pelas pessoas. E nunca tive medo de correr riscos. Faço o que gosto. Se eu não usar, não vamos vender. Então esse é o parâmetro. É assim que escolho marcas para minha loja e é assim que decido com quem quero colaborar.
TOSONE: Existem tantas marcas de streetwear agora. Como você não se perde no que todos os outros estão tentando fazer?
ANDRADE: Você se perde nisso. Acho que você tem que constantemente se lembrar tipo, "Essa é a minha parada" e bloquear qualquer ruído. Não é diferente de quando você assiste TV e os comerciais são sempre muito mais altos que o programa normal. Comecei minha marca de um lugar de realmente amar o que faço. Eu genuinamente me importo com isso, então é fácil para mim ser apaixonado por isso. Alguém disse algo outro dia que achei realmente engraçado: "As crianças não formam mais bandas; elas criam marcas". Isso realmente ficou na minha cabeça. Para mim, quanto mais, melhor. É inevitável—o que é bom sempre vai se destacar.
Kanye West's Creative Director Virgil Abloh on His Obsession With the Work of Raf Simons
É simples: qualquer conteúdo que eu encontrar envolvendo o Virgil eu vou consumir. O da semana foi essa matéria de 2014 falando sobre a admiração dele pelo Raf Simons - tudo soa tão atemporal e fácil de se identificar quando você também é apaixonado pela cultura.
Quando você ouviu falar de Raf Simons pela primeira vez?
Tenho 33 anos agora, então venho estudando o trabalho de Raf há provavelmente dez anos. Acho que o que me atraiu em seu trabalho foi sua visão intelectualizada da cultura atual. Sua abordagem é tão baseada na realidade. Seu trabalho inicial é um comentário social sobre ser jovem, e essa abordagem da moda é o que mais ressoa comigo. Então, a coleção de 2003 está gravada na minha mente — e fez um buraco na minha carteira. Tentei encontrar essas peças novamente depois de ver as primeiras imagens. Esse tem sido meu momento marcante com Raf.
Você procura no eBay? Como você as encontra ou caça?
Existe uma cultura de jovens como eu que procuram peças antigas do Raf. Você tem conversas pessoais com pessoas próximas a ele para descobrir sobre vendas de arquivo. Elas acontecem uma vez por ano mais ou menos. Fiz amizade com a mulher que as administra. E então, houve amostras que foram emprestadas e nunca devolvidas. Então você ouve sobre essas peças misteriosas que nem mesmo o Raf tem! Tenho um alerta no eBay no meu telefone para peças do Raf. E depois há sites proxy japoneses onde consegui a maioria das minhas principais descobertas.
O que há de tão especial no trabalho dele para você?
Existe um zeitgeist, certo? Há cultura, há tendências, e isso pode ser superficial de certa forma. Tipo, "Oh, essa estampa está na moda." Ou, você pode adotar uma abordagem para a arte da moda e conectá-la à cultura, música e à verdadeira arte da época. Raf está conectado a tudo isso, mas seu meio é a moda. Ele é como uma esponja para mais do que apenas a superfície da moda. Acho que, em termos de designers e suas declarações de missão, isso é o que mais ressoa comigo. Esse é um bom parâmetro para todos os designers: incorporar mais do que uma estética. Captura como era o mundo naquela época. Eu tomo isso como inspiração ao desenhar minha própria coleção.
Qual é a história mais louca que você já ouviu sobre alguém adquirindo uma peça do Raf?
É uma dessas subcorrentes na moda. Tenho um amigo — esse jovem chamado Ian Connor— ele estava no South by Southwest, e estava entrando em um bar, e viu um jovem vestindo uma peça de 2003. Então ele pegou o garoto e disse: "Vamos ao caixa eletrônico." E ele sacou um monte de dinheiro e simplesmente deu o dinheiro ao garoto na rua para pegar aquela camisa. Isso representa como, quando você vê uma peça, você fará o que for preciso para consegui-la. Eu tenho talvez 80 peças de trabalhos de arquivo, mas todas são peças muito especiais. São obras de arte para mim.
O QUE ESTOU OUVINDO
Finalmente um projeto novo do Sahbabii. Gosto muito da vibe das músicas dele - sonoridades, melodias, texturas, flows. É tudo muito ‘fácil’ de se consumir. E dá pra matar um pouco da saudade do Thug 😂.
Já tinha indicado ela aqui e agora foi lançado o seu EP de estréia. Ela tem muito talento e vai ser grande.
Tava ansioso pra ouvir esse álbum do Ferg, ele já tinha falado que ia ser algo mais pessoal (inclusive Darold é o nome dele) e gostei da ideia dele ter pintado o quadro que compõe a capa - um auto-retrato. Gostei muito das faixas com a Mary J Blige.
“Este álbum significa o mundo para mim!!! É literalmente uma obra de arte. Comecei a pintar novamente durante a pandemia e brinquei com a ideia de fazer minha própria arte de capa para o meu álbum. A natureza terapêutica do pincel na tela me colocou em uma zona e decidi fazer todas as capas dos meus singles eu mesmo. A vibe estava Fresca e eu estava novamente viciado em pintar.
Criar meu primeiro álbum "Trap lord" foi uma válvula de escape para mim, sendo um jovem negro na periferia enfrentando adversidades diárias. Em um momento, eu até me senti como um "lorde que estava preso". A reflexão me levou a me tornar mais "Hood pope", o iluminado, mas encontrei equilíbrio em ser simplesmente "Darold".
Obrigado a toda minha família, amigos e fãs/família que me deram espaço para crescer. Eu nunca quis levar 4 anos para criar um álbum, mas também nunca quero falar a menos que eu tenha algo a dizer.
A arte foi elevada uma vez que eu evoluí como pessoa. Eu poderia continuar falando para sempre, mas acho que podemos conversar nos comentários ou quando eu te ver pessoalmente.
Darold lança à meia-noite!
PS. Escute do início ao fim na primeira vez. Foi projetado para ser como uma música longa.”
O QUE ESTOU ASSISTINDO
Não fazia ideia da existência desse curta até um amigo me recomendar. Basicamente é uma conversa de bar entre Selton Mello e Seu Jorge sobre a teoria de todos os filmes do Tarantino serem uma história só e se conectarem entre si.
Rhuigi has just go to be rhude
Rhuigi é uma das minhas maiores referências de estilo de vida. Ele fala bastante coisa legal nessa entrevista sobre saber dialogar em vários ambientes, sobre como é importante absorver as inspirações ao nosso redor, sobre como a criatividade é uma plataforma ‘de colagem’ entre várias coisas.
Rhuigi (Rhude CEO) “I Started My Business On Mum’s Laptop” | Thoughts In A Culli
Outra entrevista do Rhuigi. Não sabia que o canal do Grime Daily tinha um quadro de entrevistas, mas foi bom descobrir. Nessa ele fala bastante sobre como surgiu sua relação com o Jay-Z, como fui sua experiência sendo diretor criativo da Bally por um ano, como foi sair do nada e conquistar o mundo através da moda, sua inspiração em criar um estilo de vida em designers como Tom Ford e Ralph Lauren a importância de ter bons conselheiros.
Bastidores do processo criativo de Chromakopia - esse vídeo por si só já me fez ter outra percepção do álbum e passar a gostar mais.
Uma conversa despretensiosa algumas semanas atrás com o meu amigo Jaime fez eu mudar toda a minha perspectiva sobre saúde, performance, esporte e etc. Dentre muitas coisas que ele me apresentou (e que eu ainda preciso consumir e trazer pra cá) esse documentário foi o mais impactante, fala sobre um Israelense que foi treinador do McGregor, que depois de muito viajar, treinar e experimentar, desenvolveu um método de exercício chamado ‘cultura do movimento’. Toda a filosofia por trás da prática é bem foda e inspiradora.
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©2024, Acordamos e fazemos coisas, Cosmopolitan Boys.

